
António Parreira dá aulas de guitarra portuguesa no Museu do Fado em Lisboa


O Sobreiro é uma das espécies mais importantes do mediterrânico, constituindo as áreas de sobreiros, um tipo característico de sistema agro-florestal, denominado montado de sobro.
O aproveitamento e utilização do Sobreiro é parcialmente total: a exploração da cortiça; dos frutos (bolotas); a madeira para lenha e carvão; a caça; aproveitamento dos solos para pastagens e/ou cereais de sequeiro.
A importância económica é indiscutível e resulta principalmente do facto de Portugal deter mais de 55% da produção mundial de cortiça. De acordo com os dados do Instituto Florestal, estima-se que a produção anual nos últimos anos seja de 35 mil toneladas de cortiça virgem e de 135 mil toneladas de cortiça amadia. Os montados de sobro apresentam também uma elevada importância ecológica, em grande parte devido à estabilidade deste tipo de ecossistemas.
Esta importância verifica-se especialmente pela manutenção de uma elevada diversidade biológica e pela conservação de uma herança cultural associada a estes ecossistemas.Quando se fala do Montado de Sobro não nos podemos esquecer dos problemas sociais e culturais que a substituição de sobreiros poderia acarretar.
Será mais um factor para acelerar a desertificação do Alentejo, pois a exploração dos povoamentos de sobro, exige a presença de homens, contribuindo deste modo para a fixação da população rural.
O fado e a guitarra acompanham António Chainho desde que nasceu, vai para 69 anos, na aldeia alentejana de São Francisco da Serra, entre Grândola e Santiago do Cacém. Durante mais de três décadas ele foi o acompanhante, discreto mas eficaz, de muitos dos melhores intérpretes portugueses.
Depois deixou de acompanhar os cantores e passou a fazer-se acompanhar por eles, dando todo o protagonismo à guitarra que se tornou na razão de ser da sua vida. Chama-se António Chainho e é um dos grandes responsáveis pelo impulso que o ensino da guitarra portuguesa tem conhecido na última dúzia de anos.
Conversar com Mestre António Chainho não é difícil. A conversa solta-se naturalmente, que ele é homem de boa memória e ideias claras, tanto sobre o passado como sobre o presente e o futuro. Começamos pelo princípio, como não podia deixar de ser:
Nasci a ouvir o fado", diz. "O meu pai tocava guitarra portuguesa, tinha uns dedos maravilhosos. Se tivesse vivido em Lisboa teria sido um grande guitarrista. E a minha mãe cantava o fado, embora nunca tenha cantado em público. Lembro-me de que a primeira coisa que o meu pai me ensinou foi o fado corrido, tinha eu pr'aí uns seis anos".
A primeira guitarra teve-a António Chainho por volta dos dez, onze anos. Estamos em finais da década de 40, Amália é já uma fadista muito popular, graças em boa parte aos temas de Frederico Valério. As músicas ouve-as António na rádio e as letras aprende-as nos folhetos que a mãe compra nas feiras para depois cantarolar nas sessões de costura:
"A certa altura eu comecei a acompanhá-la. E o meu pai, espantado por me ouvir tocar todas aquelas músicas, perguntava 'Como é que tu fazes isso?', mas eu não sabia responder. Porque a verdade é que eu não sabia sequer o nome dos tons, não lhe sabia explicar. Tinha um muito bom ouvido, era só isso".
Era só isso. Isso e um grande talento que começava a fazer-se notar, e que haveria de dar azo, alguns anos depois, a muitas apostas no café da aldeia, durante os serões de fado transmitidos pela Emissora Nacional e pelo Rádio Clube, que juntavam uma pequena multidão em volta da telefonia enquanto o pequeno António ia adivinhando o nome dos guitarristas antes de o locutor os anunciar.
Um livro de acordes comprado em Santiago do Cacém foi o único auxílio que o jovem teve na sua aprendizagem da guitarra. Eram tempos difíceis, e ainda hoje Mestre António se lembra de ouvir o pai falar dos "sustos da PIDE", frequentes por todo o Alentejo. E porque esses eram dias obscuros, António ficou-se pela quarta classe.
Depois da tropa feita, rumou a Lisboa. Nesse tempo, o circuito dos guitarristas passava essencialmente pelas casas de fado, e foi aí também que Chainho começou. O restaurante "A Severa" foi o lugar onde tocou pela primeira vez profissionalmente, e pouco tempo depois era convidado por Jorge Fontes para integrar o seu conjunto de guitarras. Um programa de televisão onde o grupo participava fez com que António Chainho começasse rapidamente a ser um nome e uma cara conhecida nos circuitos do fado, e assim surgiram também as primeiras invejas:
"Uma noite fui à 'Severa' porque estava lá um guitarrista que eu admirava muito e que queria cumprimentar", conta. "Pois o sujeito não me falou e esteve todo o tempo a tocar de costas para mim, que era para eu não poder ver como é que ele tocava. De outra vez foi no 'Lisboa à Noite', com outro guitarrista que eu também admirava e que também não quis cumprimentar-me. Fiquei muito traumatizado com estas histórias, cheguei mesmo a pensar ir-me embora, voltar para a minha terra. Não me adaptava à falsidade de certas coisas neste meio".
Terá nascido aí o sentimento que, muitos anos mais tarde, há-de levá-lo a querer transmitir aos outros, de forma quase obsessiva, o seu conhecimento da guitarra portuguesa: "Nessa altura ninguém ensinava nada a ninguém, tudo se fechava. Os guitarristas viviam só das casas de fado e iam duma para outra por dez ou vinte escudos, a competição era grande, e eles não queriam que mais ninguém aprendesse e lhes pudesse fazer frente".
Mas nem isso impediu que António Chainho se tornasse acompanhante de alguns dos mais consagrados artistas portugueses: de Maria Teresa de Noronha a Carlos do Carmo, passando por Francisco José, Tony de Matos, António Mourão, Hermano da Câmara, Lucília do Carmo ou Hermínia Silva, praticamente não houve intérprete do fado que não tenha sido servido pela guitarra de António Chainho.
Passou também por várias casas de fado até que, em 1974, com o fadista Rodrigo abriu um restaurante em Cascais. Foi o primeiro guitarrista a ser co-proprietário de uma casa de fados. Nessa altura já António Chainho liderava o seu próprio conjunto de guitarras. "Tinha uma vida muito ocupada, mas volta e meia apareciam pessoas que queriam aprender a tocar. E eu ensinava".
Durante todo esse tempo, e nos anos que se seguiram, Mestre Chainho continuou sempre a acompanhar vários intérpretes, do fado e fora dele: quando gravou "Fura Fura" e precisou de um guitarrista para um fado bem pouco ortodoxo, José Afonso foi buscá-lo. Mas a actividade de António Chainho não se limitava ao apoio instrumental de cantores. E foi assim que, em 1983, participou num dos mais emblemáticos discos instrumentais portugueses, "Fado Bailado", que se tornou um campeão de vendas e projectou Rão Kyao muito para além das fronteiras do jazz que eram até então o seu reduto.
Por essa altura já António Chainho se mostrava um homem preocupado com o futuro da "sua" guitarra. E disso mesmo deu conta em meados da década de 80, numa entrevista onde dizia que, daí a vinte anos, a guitarra portuguesa poderia desaparecer. As declarações chamaram a atenção do então presidente da Câmara de Lisboa, Nuno Abecassis, e levaram-no a convidar Mestre Chainho para almoçar:
"Falámos disso, e eu expliquei-lhe que mais de 50 por cento dos guitarristas que havia nas casas de fados não sabiam tocar, eram desafinados. Exactamente porque não havia uma escola".
Algum tempo depois, Chainho era convidado para uma reunião, na Mouraria, onde ficou esboçada a ideia da criação de uma escola da guitarra - que abrangeria não apenas a execução, mas a própria construção do instrumento. Mais tarde, chegou a ser indicado para o efeito o prédio onde terá vivido a mítica Severa, na Rua da Guia.
Com as mudanças entretanto verificadas na estrutura do poder do município de Lisboa, o projecto acabaria por demorar mais do que o inicialmente previsto, mas em 1998, já sob a gestão do Presidente João Soares, seria finalmente inaugurada a Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa (actual Museu do Fado) e com ela a primeira escola de guitarra em Portugal. António Chainho sente-se orgulhoso por ter dado a sua contribuição para a concretização deste projecto.
1998 foi também o ano da edição de "A Guitarra e Outras Mulheres", a sua carta de alforria como intérprete solista (foi o primeiro guitarrista de fado a ter atrevimento para tanto) e que é também um disco onde António Chainho subverte as regras ao convidar seis cantoras para o acompanharem - a voz ao serviço da guitarra, e não o contrário. Porque, para Chainho, o mais importante é manter vivo e divulgar por todos os meios este instrumento que é parte da identidade lusitana - em Portugal como no Japão, onde conta com vários discípulos, ou na Índia, onde conseguiu criar as bases de uma escola da guitarra:
"Começou tudo com um workshop que ali realizei, a convite da Fundação Oriente, e que mobilizou 200 pessoas que queriam aprender alguma coisa da guitarra portuguesa", lembra. "O sucesso foi tal que, quando regressei a Portugal, me ligou o coordenador da Fundação Oriente em Goa, dr. Sérgio Mascarenhas, a dizer que havia uma dúzia de indianos que queriam aprender a tocar guitarra...".
António Chainho regressou a Goa, e seleccionou três candidatos, que vieram para Lisboa, apoiados pela Fundação. E quando regressaram iam preparados para transmitir a outros aquilo que aprenderam. E foi assim que, em Janeiro deste ano se realizou em Goa o I Festival da Guitarra Portuguesa.
Hoje, António Chainho é um homem satisfeito com o resultado do seu trabalho. E tem razões para isso. Além do currículo único que faz dele um dos mais relevantes intérpretes de guitarra da actualidade - e seguramente o mais importante da sua geração - tem o prazer de ter conseguido levar por diante o seu sonho de divulgação da menina dos seus dedos, a guitarra portuguesa.
"Aquilo que hoje me interessa mais é fazer com que a guitarra apareça e se mantenha", diz. "Eu sou um optimista e acredito que, a pouco e pouco, nós vamos conseguir. Porquê? Repare que, em relação ao fado, fora de Portugal estamos na melhor fase de sempre. Há 30 ou 40 anos só a Amália é que cantava no estrangeiro fora dos circuitos da emigração; neste momento já há vários artistas que conseguem fazê-lo. Quando vim para Lisboa havia meia dúzia de bons guitarristas, tudo o resto era de arrepiar; agora, só jovens já teremos uns vinte a tocarem muito bem a guitarra portuguesa. Então não é de ser optimista?".
Viriato Teles

Devido a não se visualizar bem os contactos aqui vai: Hélder Gonçalves (961353682)
António Rodrigues (961353681)
O preço inclui almoço, beber e comer a discrição e febras assadas ao jantar.

Aos 13 anos acompanhou pela primeira vez a fadista “Argentina Santos” e logo de seguida foi convidado a participar no Festival “Um Porto de Fado”, realizado no âmbito do evento “Porto 2001, Capital da Cultura”. Durante todos estes anos a sua formação musical, desde muito novo até passar pelo Conservatório Nacional, foi em redor dos grandes compositores de guitarra portuguesa, desde Carlos e Artur Paredes num conceito mais virado para a guitarra de Coimbra, até aos lisboetas: Armandinho, José Nunes, Francisco Carvalhinho e Jaime Santos. Isto para além de tocar com alguns dos Fadistas mais importantes do panorama actual: Camané, Mísia, Mafalda Arnauth, Argentina Santos, entre outros.
In Artistas e espectáculos

Paulo Parreira é reconhecido, em Portugal, pela sonoridade inconfundível que retira da Guitarra Portuguesa.
Tendo vindo a acompanhar os mais diversos fadistas, há 20 anos, apresenta-se em 2007 como artista em nome próprio em disco e em espectáculos. Composições da sua autoria, de Armandinho, de Artur e Carlos Paredes fazem parte do seu reportório.
Paulo Parreira nasceu em Lisboa em 1970 e começou a tocar Guitarra Portuguesa aos 16 anos de idade. Entre os grandes fadistas que acompanhou destacam-se os nomes Argentina Santos, Beatriz da Conceição, Manuel de Almeida, Camané, Mafalda Arnauth e Rodrigo. Foi o guitarrista principal no Palco do Fado durante a Expo’98. Em 2001 formou o grupo instrumental Trinadus com João Veiga na viola, Anne Hermant em violoncelo e Maria Castro-Balbi em violino onde lançaram dois discos. Em 2004 formou o Trio D’Corda com Luís Pontes na guitarra clássica e Ricardo Cruz em contrabaixo. Paulo Parreira já gravou vários discos como solista lançados pela editora Estoril na série Lisboa, Cidade do Fado com João Veiga na viola e Joel Pina na viola-baixo. Realizou numerosas digressões pelo estrangeiro como guitarrista acompanhante de fado e é convidado para actuar em colobrações não relacionados com o fado como e exemplo Pavarotti & Friends. Ao escutar Paulo Parreira oiço uma pessoa que tem domino absoluto do seu instrumento, acordes distintos e perfeitos, e uma sonoridade de trinados nostálgicos de Armandinho, Raúl Nery, António Parreira juntamente com o seu próprio estilo. Na minha opinião Paulo Parreira é, no presente, o melhor executante da Guitarra Portuguesa por a sonoridade dos tons breves, semibreves, e diatónicos que emprega tanto nas composições de sua própria autoria como nas variações e musicas populares.

| População: 889 |
| Actividades económicas: Agricultura e pecuária, extracção de cortiça, restauração, alojamentos, comércio e serviços |
| Festas e Romarias: Nossa Senhora do Livramento (Julho) |
| Património: Igreja matriz e ermida da Senhora do Livramento |
| Outros Locais: Cerro da Sra. do Livramento (vista paisagística e antiga ermida em ruínas), moinhos de vento e diversas fontes |
| Gastronomia: Açorda de alho, lombo de porco na manteiga de porco e mioleira de porco com pão ralado |
| Artesanato: Miniaturas em madeira inseridas em garrafas de vidro, miniaturas e quadros em cortiça, rendas e tapetes de Arraiolos (imitação) |
| Colectividades: Centro Social de Roncão, Associação Jovem de Festas de Cruz de João Mendes (Casa de Convívio de Cruz de João Mendes), Grupo Desportivo e Recreativo S. Francisco da Serra, e Centro de Dia de S. Francisco da Serra |
| Orago: S. Francisco In ANAFRE |

Grupo Desportivo e Recreativo de
As suas principais modalidades são o Futebol, o Atletismo e o BTT.
Ainda não existe um espaço físico que constitua a sua sede e têm variadíssimas dificuldades, entre elas, as más condições dos balneários no campo Deodato Rocha.

Armas - Escudo de prata, quatro ramos de sobreiro de verde, landados de ouro, com casculhos de negro, postos em pala e alinhados em faixa, entre uma corça de azul, passante, em chefe e um monte de três cômoros de verde, movente da ponta. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “ SÃO FRANCISCO DA SERRA “.
Formada pelas localidades de Cruz de João Mendes, Salema, Roncão e S. Francisco da Serra, está integrada no concelho de Santiago do Cacém, abrange uma área de 51,42 km2 e com 890 habitantes (censos de 2001) tem uma densidade de 17,3 hab/km².
Património
Com características rurais, tem sido berço de artistas que se têm destacado, não só a nível local, como também a nível nacional. Existem determinados locais de interesse turístico que constituem grande parte do seu património cultural. Destaca-se a fábrica de cortiça, Igreja Matriz, moinhos de vento, Dólmen da Palhota e os Frescos de S. Francisco.
História
A formação da freguesia remonta ao período medieval e deve-se à Ordem de Santiago de Espada, tal como a generalidade das freguesias mais antigas do concelho de Santiago do Cacém. Recebeu a carta de foral no início do século XVI, por D. Manuel I. A freguesia é reconhecida com presença humana desde a pré-história, encontrando-se algumas antas na Herdade das Antas e da Salema, locais que foram escavados e que parte deste espólio pode ser observado no Museu Municipal de Santiago do Cacém.
Actividades
A agricultura, pecuária, comércio, serviços e a extracção de cortiça constituem as principais actividades económicas, sendo esta última, que serve de base para um dos trabalhos feitos no artesanato da freguesia, nomeadamente, as miniaturas e quadros em cortiça, além das miniaturas em madeira, inseridas em garrafas de vidro e a imitação dos tapetes de Arraiolos.
Gastronomia e produtos regionais
Rica em produtos regionais, a gastronomia da freguesia é constituída pela tradicional açorda de alho, lombo de porco em banha e mioleira de porco com pão ralado (miolos). Em termos de doçaria típica, apresenta o mel de rosmaninho, e os licores de poejo, mortinho, café, tangerina e amora.